Ao olhar para a geração de nossos pais, eu só posso ficar triste com a nossa geração. A geração deles batalhou contra a ditadura, saíram às ruas no movimento “Diretas Já!” e conseguiram a democratização cuja nossa geração tanto se orgulha hoje. Depois batalharam juntos contra a inflação e a hiperinflação, vigiaram de perto as mudanças econômicas, boicotaram produtos, protestaram; e, no maior caso de roubo público da História nacional, o Plano Collor, foram de novo às ruas com as caras pintadas e conseguiram o Impeachment do presidente que eles haviam elegido. Uma geração de raça, que pensou e agiu coletivamente e conquistou para nós o crescimento em que vivemos hoje.
Mas minha tristeza vem ao olhar para a nossa geração, totalmente individualista, que se esconde sob a fachada de um pensamento liberal, um pensamento “século XXI”, que diz que cada um faz o que quer da sua vida, e assim dá vazão a todo tipo de egoísmo, e se esquece que aquilo que um faz da própria vida afeta direta e indiretamente a vida do vizinho, e para quem vive em sociedade, a consciência do próximo e da liberdade dele deve estar dentro da consciência de indivíduo como parte fundamental a ser considerada. Na prática, se minha vontade de ouvir música alta às 3hs da manhã não respeita o sono do meu vizinho, então ele não tem a liberdade de dormir a hora que quer, mas eu quero minha liberdade, dane-se o chato do meu vizinho... Individualismo! E esse individualismo chegou à macro-sociedade. Quando foi denunciado o escândalo do mensalão, nossa geração não depôs o presidente, ao contrário, pelo fato de que, individualmente, um grupo de pessoas foi beneficiado, nós reelegemos o presidente do caixa 2. E eu digo “nós” porque, apesar de eu nunca ter votado nele, não sou individual, estou na sociedade, faço parte do povo brasileiro. E quem paga a conta é esse próprio povo, que sofre uma carga tributária absurda, e não tem saúde pública, educação pública, segurança pública, nem mesmo vias públicas decentes. Mas isso não importa! Individualmente, nossa geração está preocupada em dar o aval para homossexuais poderem ficar “dando amassos” nos elevadores, nas padarias, docerias, em frente crianças, nos locais menos apropriados possíveis, e até ensinar nas escolas as crianças a serem homossexuais. Ou então está preocupada com a marcha das vadias, ou da maconha; aliás queria mesmo que legalizassem a maconha, pois então o governo ia taxar a maconha de impostos, aí quem sabe os maconheiros viajassem no que realmente importa. Porque enquanto cada um pensa no seu, o dinheiro que é fruto do trabalho de todos e que deveria voltar para todos em forma de benefícios, está indo para as consultorias do Antônio Palocci, que em 4 meses recebeu 20 milhões, para os fundos de pensão, que deveriam pagar a aposentadoria de todos, mas foram roubados para comprar empresas que financiaram, “anonimamente”, a campanha da nossa presidenta e mais um monte do PT, um roubo de 67 milhões, para médicos que recebem por plantões que não fizeram, em um hospital que cobra dos estagiários!!! Que absurdo, já pensou? Pagar pra trabalhar? Pois é, e nós pagamos 5 meses por ano para o governo. Mas nossa geração está interessada em fazer piadas e colocar o Tiririca na câmara dos deputados. Deixou de pensar no bem comum, só olha para o próprio umbigo.
E a inflação está voltando! E o preço dos Ipads, Iphones e afins é muito alto; mas será que nossa geração faria um boicote à compra desses produtos até que os preços fossem justos? Será que aqueles que podem comprar abririam mão de ter o produto até que os preços baixassem para que a maioria pudesse comprar? Acho que não, ao contrário, acho que eles comprariam logo, para alimentar o ego deles com o “status” que esses produtos caros lhes trazem. Acho que até mesmo aqueles que não têm condições diriam: “Não trem problema, eu parcelo em 12x, comprometo minha renda mensal em 50% durante um ano, mas compro esse “status”.” Individualismo, egoísmo, competições infundadas, injustiça social, foi isso que nossa “mente aberta” nos trouxe. Nossa geração está como Cazuza se descreve em sua música: “E aquele, garoto que ia mudar o mundo, agora assiste a tudo em cima do muro... Ideologia, eu quero uma pra viver!” Cazuza era homossexual, mas a briga dele era outra, era coletiva e não voltada ao seu próprio nicho, e ele percebeu que os políticos desviavam o foco do povo, mas ele fazia parte da geração anterior à nossa e escreveu contra os políticos, numa crítica ao que os políticos fazem, disse: “Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam um país inteiro num puteiro, pois assim se ganha mais dinheiro...” Outro homossexual da geração passada também entendeu que a luta era outra e criticou: “nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação! Que país é esse?” E ele creu numa geração que cuspiria de volta os enlatados americanos, uma geração que seria a dos “filhos da revolução”, mas o individualismo fez essa geração coca-cola ficar sem gás.
2 comentários:
Parabéns, meu amor, gostei muito do texto. Esperoq ue as pessoas reflitam nele!
bjs
é isso ai cunha..... no meu blog eu abordo algo parecido, fui me manifestar contra o sexto assessor na camara aqui de Sorocaba.
Mas nossos vereadores me ensinaram o verdadeiro significado da palavra "democracia" e "cidadania".
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